Estava frio mesmo com
a porta e a janela fechada. E também sentia frio por estar sozinho. Não havia o
calor de ninguém. Ainda faltavam alguns meses para eu poder deixar toda essa
frieza de lado, mas até esse dia chegar, eu tinha que passar por um árduo
caminho.
Naquela sala era apenas eu e o caderno. Uma folha em branco a minha frente, antes algo que eu era capaz de transformar em belos versos ou em um conto reflexivo, mas agora eu sequer pensava em um título. Fiquei muito tempo ali, algo que parecia uma eternidade, muito mais do tempo que eu precisava esperar, mas na verdade não havia se passado mais do que poucos minutos.
Eu tentava começar alguma escrita mas logo nas primeiras linhas desistia da ideia, parecia horrível. Não sentia vontade de continuar escrevendo aquilo, e assim se repetiu algumas vezes.
Cheguei a escrever tanto que acabei adormecendo, e quando acordei ainda estava o mesmo ao meu redor. Eu, a mesa, o caderno com uma página em branco e um relógio. O relógio fazia um tic toc muito alto desta vez, cada vez mais alto até que chegou a fazer um barulho ensurdecedor. Olhei a minha frente pelas paredes para ver se encontrava algo mas não o vi. Então olhei para trás e lá estava ele, o relógio e que agora não fazia som nenhum. Me levantei da cadeira e me aproximei. Era um relógio comum, porém quando cheguei perto vi que ele tinha uma grande diferença: Ele não tinha ponteiro algum. Estranhei e fiquei pensando se era um relógio quebrado, mas não faria sentido estar ali se estivesse quebrado, então me aproximei mais e vi uma frase em seu centro: ‘’Decide what time it is.’’
Decida que horas são? Qual o sentido disso? Eu tenho um relógio para saber que horas são, não para ficar decidindo qual horário eu quero que seja. Sem entender me voltei a mesa e o tic-toc ainda estava desaparecido.
Decidir que horas são. Seria um poder incrível. Fiquei pensando que horas eu iria decidir se pudesse. Voltar ao passado e viver novamente todas aquelas felicidades que agora são memórias ou seguir em frente ao futuro misterioso.
Todas aquelas noites felizes... O tempo passou rápido demais, mas agora neste presente cinza, cada segundo se torna uma eternidade. Ansiava por um futuro em que sentisse me simplesmente feliz. E o que seria melhor, o futuro? Ou nem mesmo no futuro eu seria capaz de me sentir feliz de igual forma? Eram tantas questões, tantos pensamentos mas a folha continuava em branco.
Decidi escrever. Ainda estava frio e a sala, vazia. Aos poucos a tarde estava indo embora para dar olá a noite. Minhas palavras foram tomando certo rumo mas minha cabeça estava ali naquele pensamento: Passado ou futuro? Parei. Então decidi tentar encontrar a resposta
Naquela sala era apenas eu e o caderno. Uma folha em branco a minha frente, antes algo que eu era capaz de transformar em belos versos ou em um conto reflexivo, mas agora eu sequer pensava em um título. Fiquei muito tempo ali, algo que parecia uma eternidade, muito mais do tempo que eu precisava esperar, mas na verdade não havia se passado mais do que poucos minutos.
Eu tentava começar alguma escrita mas logo nas primeiras linhas desistia da ideia, parecia horrível. Não sentia vontade de continuar escrevendo aquilo, e assim se repetiu algumas vezes.
Cheguei a escrever tanto que acabei adormecendo, e quando acordei ainda estava o mesmo ao meu redor. Eu, a mesa, o caderno com uma página em branco e um relógio. O relógio fazia um tic toc muito alto desta vez, cada vez mais alto até que chegou a fazer um barulho ensurdecedor. Olhei a minha frente pelas paredes para ver se encontrava algo mas não o vi. Então olhei para trás e lá estava ele, o relógio e que agora não fazia som nenhum. Me levantei da cadeira e me aproximei. Era um relógio comum, porém quando cheguei perto vi que ele tinha uma grande diferença: Ele não tinha ponteiro algum. Estranhei e fiquei pensando se era um relógio quebrado, mas não faria sentido estar ali se estivesse quebrado, então me aproximei mais e vi uma frase em seu centro: ‘’Decide what time it is.’’
Decida que horas são? Qual o sentido disso? Eu tenho um relógio para saber que horas são, não para ficar decidindo qual horário eu quero que seja. Sem entender me voltei a mesa e o tic-toc ainda estava desaparecido.
Decidir que horas são. Seria um poder incrível. Fiquei pensando que horas eu iria decidir se pudesse. Voltar ao passado e viver novamente todas aquelas felicidades que agora são memórias ou seguir em frente ao futuro misterioso.
Todas aquelas noites felizes... O tempo passou rápido demais, mas agora neste presente cinza, cada segundo se torna uma eternidade. Ansiava por um futuro em que sentisse me simplesmente feliz. E o que seria melhor, o futuro? Ou nem mesmo no futuro eu seria capaz de me sentir feliz de igual forma? Eram tantas questões, tantos pensamentos mas a folha continuava em branco.
Decidi escrever. Ainda estava frio e a sala, vazia. Aos poucos a tarde estava indo embora para dar olá a noite. Minhas palavras foram tomando certo rumo mas minha cabeça estava ali naquele pensamento: Passado ou futuro? Parei. Então decidi tentar encontrar a resposta
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Comecei com um álbum de fotografias. Procurei por alguns minutos e logo o encontrei, um pouco empoeirado mas intacto. Abri na primeira página e fui o revirando. Cada foto era uma sensação boa, porém era uma amalgama com tristeza por serem apenas registros e isso não era suficiente para mim, eu queria reviver tudo isso.
Continuei olhando por alguns minutos até que encontrei uma foto que estava separada das demais, a peguei na mão e lá estava ela: minha melhor memória. Não pude resistir, junto ao meu sorriso escorreu uma lágrima. Estava eu chorando de felicidade por ter vivido tal fato ou eram lágrimas de tristeza por ter ido embora? Nem eu era capaz de entender.
Fechei o álbum e peguei uma folha em branco. Comecei a escrever meus planos para os próximos anos e é claro que muitos deles não iriam acontecer, porém me lembrei de que já tinha feito vários planos e que o melhor aconteceu quando alguns deles deram errado. Pouco depois a folha estava preenchida e com alguns rabiscos e fiquei analisando.
Se tudo desse certo, eu estaria feliz, mas me lembrei também de que muitas coisas que me aconteceram foram sem planejar, então conclui que planejar o futuro não era uma boa ideia. Amassei aquela folha.
Então eu tinha ali minha comparação entre um álbum de fotografias e o vazio. Era triste e belo. Essa era a magia do passado: A memória. E a magia do futuro, bem, é simples: A névoa, a incerteza, o inesperado, o novo. Mas então... qual a magia do presente?
Tic. Toc. O relógio voltou a fazer barulho.
- Decida que horas são, huh? Então eu mesmo posso definir a razão, a magia do presente. Eu não sou capaz de ir e vir entre passado e futuro, mas posso me lembrar do antigo e criar o novo. Eu sou o presente, o trunfo do tempo. É hora de começar a preencher esta folha vazia para que um dia elas se juntem as memórias que hoje tenho.
Tic. O relógio parou. Não, naquele momento, o tempo parou. O passado, presente ou futuro não existiam. Era apenas eu. Eu podia decidir o tempo.
- Presente, em direção ao futuro.
Toc.
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