O Velho Conto

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Era final de tarde. Estava sentado naquela montanha em que sempre ficara para ler. Quando fechei o livro, não voltei para casa, desta vez me deitei na grama e fiquei observando o pôr do sol. O dia não tinha passado com um leitura de ficção ou relator históricos de alguma guerra, mas sim sobre filosofia. Ler tanto sobre os pioneiros da filosofia antropocêntrica tinha mudado meu pensar, de um modo, me deixou mais feliz por ter aprendido um pouco sobre estes sábios, entretanto, me deixou triste pela ausência de pensamentos e pessoas assim na atualidade.
O sol já estava de retirada e as estrelas tomaram lugar enquanto eu refletia sobre aquela quantidade enorme de luzes no céu. O que elas representavam para mim. Cada uma, uma pessoa, um pensamento, uma história, as contadas e que escritores irão relatar. A noite ia chegando junto ao meu sono, que aos poucos tomou posse de mim, até cair em profundo sono.
- Ei, garoto! – Uma voz estranha dizia.
- Ei, você está bem ? – A voz persistia.
Abri os olhos e vi um senhor, já devia ter uns 65 anos, com uma roupa velha e um sorriso no rosto.
- Oh, você está vivo – Ele ria.
- Acabe caindo no sono, fiquei lendo durante a tarde aqui.
- Lendo¿ Sobre o quê ? Já leu sobre o mar, garoto?
-  Sim, filosofia, Sócrates, Platão e Aristóteles. Só li algumas coisas sobre o mar, e me chamo Alex, a propósito. E o senhor?
- Pode me chamar apenas de Velho, soa mais simpático. Filosofia huh? Achei que garotos nessa idade mal gostassem de livros, principalmente filosofia. – Ele ria novamente.
- Eu gosto de ler, li um pouco mais sobre este assunto pela primeira vez e me interessei muito.
- Oh, vejo que está iniciando um novo capítulo.
- Novo capítulo? O que quer dizer? – Eu questionava.
- Olhe bem Alex, a vida é nosso maior livro. Todos os dias estamos escrevendo aqui, quem sabe até quando.
- Mas nosso livro é diferente de todos os outros gêneros, não é romance, ficção, drama ou qualquer outro. É um gênero chamado Destino. Mas dentro deste gênero há um grande romance, há a ficção, a sua imaginação, seus sonhos, o drama, suas lágrimas e tristezas, a comédia, seus sorrisos e risos. Compreende, Alex ?
- Eu nunca tinha pensado assim, Velho.
- É Alex, muito não pensam assim atualmente, Muitos se afastaram dos livros, da imaginação e da sua criança interior. Você já não é mais uma criança, mas sempre sorria como uma, igual este Velho Aqui. Agora cabe a você escrever sua vida ou deixarem que ela seja escrita por alguém. Já é hora de eu ir indo, quem sabe nossos livros não se cruzem novamente algum dia?
Eu fiquei imóvel enquanto o Velho ia embora assoviando uma melodia. Sabia pouco sobre o livro dele, mas queria lê-lo inteiro E agora tinha entendido, não iria apenas ler, mas sim, escrever meu destino, meu livro.

Um comentário

  1. "Cada estrela representava uma história: as contadas e as que os escritores irão relatar." - Forte. Muito forte. Contar não é apenas o que já se contou, mas o que se contará. É preciso, quando contar, contar o que não foi contado, de fato. Bonito, de uma sabedoria sem tamanho, medir os ecos que terá no futuro é também responsabilidade como se deve ter com o presente e com o passado.
    Falaria sobre filosofia e arte e arte e filosofia, mas não quero, estou cansado. Tenho a dizer que, se a vida é um livro, todas, então a realidade é uma biblioteca bastante desorganizada.

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