- Ei, vocês vão no show na sexta? – Alguma menina disse.
- Claro que vou, quem iria perder? – Outra menina disse.
Um show de músicos ruins, eu pensava comigo mesmo, e ainda tinha várias pessoas querendo ir ver o show, deveriam ser idiotas para gostar de algo tão horrível. Eu prefiro ficar em casa lendo meus livros de ficção científica.
- Ou, acorda! Jim! – Ouvi uma voz.
- Hm?
Quando virei a cabeça pro lado avistei a Marie, minha amiga, a duas fileiras de distância
- Acorda cabeção, ta dormindo? – Ela disse com um sorriso na cara
- Nah, só estava tentando não ouvir tanta merda.
- Cheio de raiva como sempre.
Marie era minha amiga dos cabelos dourados e olhos castanhos, a conheço desde que eu tinha 7 anos, quando entrei para a escola, e hoje, com 17, ainda somos bons amigos. Aliás, nunca fui de amigos. Eu era o cara mais inteligente da escola, ninguém me odiava por eu ser o famoso nerd excluído, as pessoas conversavam comigo normalmente, mas eu que as odiava, achava as pessoas daquela escola superficiais demais, exceto Marie.
- Ei, que tal sairmos na sexta? Todos vão sair, por que não vamos pra algum lugar diferente? – Ela me perguntou
- Sair? Não.
- Vamos, Jim, só desta vez, por favor! – Ela insistia.
- Que lugar?
- Ah, vai fazer calor, que tal irmos numa sorveteria?
- Sorvete? Ok, pode ser.
Eu adorava doces, enquanto lia meus livros eu era capaz de devorar uma barra de chocolate antes mesmo de terminar um capítulo de um livro qualquer. Apesar não querer sair, tomar um sorvete seria um bom modo de eu esfriar a cabeça, literalmente.
- Sério que você vai? Isso é novidade. – Ela dizia com um sorriso meigo.
- Só desta vez, aliás, é sorvete, você conhece meu amor por doces.
- Ok, vamos naquela que abriu perto do centro, 20h?
- Por mim tudo bem.
Logo que terminamos a conversa, passaram por volta de 3 minutos e o sinal da última aula soou. Me despedi de Marie e fiz meu trajeto até em casa como de costume, coloquei meus fones de ouvido e comecei a escutar Audioslave. Quando cheguei em casa minha mãe estava assistindo o jornal.
- Vai jantar? – Ela me perguntou.
- Vou sim, mãe. – Respondi.
- Se precisar de algo me chame, vou subir no meu quarto.
- Ok, ah, eu queria te perguntar um negócio, amanhã vou numa sorveteria, tudo bem?
- Sem problemas, só não volte tarde.
- Ok, até as 22h eu volto.
- Ok, boa noite.
- Boa noite.
- Claro que vou, quem iria perder? – Outra menina disse.
Um show de músicos ruins, eu pensava comigo mesmo, e ainda tinha várias pessoas querendo ir ver o show, deveriam ser idiotas para gostar de algo tão horrível. Eu prefiro ficar em casa lendo meus livros de ficção científica.
- Ou, acorda! Jim! – Ouvi uma voz.
- Hm?
Quando virei a cabeça pro lado avistei a Marie, minha amiga, a duas fileiras de distância
- Acorda cabeção, ta dormindo? – Ela disse com um sorriso na cara
- Nah, só estava tentando não ouvir tanta merda.
- Cheio de raiva como sempre.
Marie era minha amiga dos cabelos dourados e olhos castanhos, a conheço desde que eu tinha 7 anos, quando entrei para a escola, e hoje, com 17, ainda somos bons amigos. Aliás, nunca fui de amigos. Eu era o cara mais inteligente da escola, ninguém me odiava por eu ser o famoso nerd excluído, as pessoas conversavam comigo normalmente, mas eu que as odiava, achava as pessoas daquela escola superficiais demais, exceto Marie.
- Ei, que tal sairmos na sexta? Todos vão sair, por que não vamos pra algum lugar diferente? – Ela me perguntou
- Sair? Não.
- Vamos, Jim, só desta vez, por favor! – Ela insistia.
- Que lugar?
- Ah, vai fazer calor, que tal irmos numa sorveteria?
- Sorvete? Ok, pode ser.
Eu adorava doces, enquanto lia meus livros eu era capaz de devorar uma barra de chocolate antes mesmo de terminar um capítulo de um livro qualquer. Apesar não querer sair, tomar um sorvete seria um bom modo de eu esfriar a cabeça, literalmente.
- Sério que você vai? Isso é novidade. – Ela dizia com um sorriso meigo.
- Só desta vez, aliás, é sorvete, você conhece meu amor por doces.
- Ok, vamos naquela que abriu perto do centro, 20h?
- Por mim tudo bem.
Logo que terminamos a conversa, passaram por volta de 3 minutos e o sinal da última aula soou. Me despedi de Marie e fiz meu trajeto até em casa como de costume, coloquei meus fones de ouvido e comecei a escutar Audioslave. Quando cheguei em casa minha mãe estava assistindo o jornal.
- Vai jantar? – Ela me perguntou.
- Vou sim, mãe. – Respondi.
- Se precisar de algo me chame, vou subir no meu quarto.
- Ok, ah, eu queria te perguntar um negócio, amanhã vou numa sorveteria, tudo bem?
- Sem problemas, só não volte tarde.
- Ok, até as 22h eu volto.
- Ok, boa noite.
- Boa noite.
Minha mãe, Anna, era outra pessoa que eu não considerava superficial, meu pai tinha falecido 6 anos atrás em um tiroteio, ele era policial, depois disto, nunca mais fui o mesmo, me trancafiei de tudo e todos, apenas minha mãe e Marie existiam pra mim. Minha mãe também ficou muito abalada, e ainda é, não comentamos sobre isso há muito tempo, mas sabemos que até agora sentimos sua perda.
Depois que jantei, deitei na minha cama, fiquei lendo um pouco, tomei um banho e fiquei observando pela janela. Vi a chuva cair e fiz algo que eu não fazia há muito tempo, escrever um poema. Fiquei algum tempo escrevendo, parando e voltando à observar a chuva para ter mais inspiração, até que eu terminei.
Trovão de Luz
A chuva caia sem parar.
Já não escuto mais meu coração pulsar.
Cada gota que cai parece uma tormenta.
Traz uma dor, uma dor que ninguém aguenta.
Não vejo luz, não vejo cor.
não vejo nenhum amor.
Só sinto esta dor.
O trovão brilha, mostra o céu acinzentado
traz a memória do passado
traz de volta as memórias que queria ter apagado.
Memórias de quando fui abandonado.
Abandonado da luz
e adotado pela dor.
O trovão me abandonou, mas ainda brilha.
Está distante.
Uma esperança revive, de seguir adiante.
De ir contra esta chuva, e achar o arco íris
Reviver.
Ver.
Sentir.
Não era um poema feliz, mas era um poema real, toda esta dor
era real. Depois de terminar de escrever, senti sono e fui dormir.
Quando acordei já era horário do almoço, me levantei, fui à cozinha, dei um bom dia à minha mãe e almocei junto dela, em silêncio. Sai de casa e fui para a escola, minha aula começava 13h, mas eu sempre chegava adiantado. Aquele dia tinha passado rápido, tive aulas de história, filosofia e física, as minhas favoritas. Conversei pouco com Marie nas aulas, mas na saída nós confirmamos o combinado e decidimos que realmente iríamos, encontraríamos na sorveteria 20h. Saí da escola e cheguei em casa.
- Vai querer jantar antes de sair? – ela me perguntou
- Acho que não, como algo por lá.
- Ok, precisa de dinheiro?
- Não, eu tenho, obrigado, mãe.
- Certo.
Fui ao meu quarto e me troquei enquanto minha mãe ficou na cozinha. Quando ela sair, me chamou.
- Tome cuidado, ta? Eu te amo. – Ela me disse e deu um beijo na minha testa.
- Pode deixar, tchau.
Por mais afetiva que minha mãe fosse, ela não costumava dizer que me amava, mas não liguei. Quando cheguei na sorveteria, Marie já estava lá. Estava usando um shorts jeans e uma camiseta vermelha. Marie era muito bonita e inteligente, não ficava com caras que tinham baixo nível cultural, e mesmo apesar disso, nunca aconteceu nada entre nós.
Tomamos dois sorvetes cada um, e até ri um pouco, foi divertido. Saímos da sorveteria já era 22h, havia poucas pessoas nas ruas, acredito que a maioria das pessoas estava naquele maldito show.
Estávamos voltando para a casa de Marie andando quando ela decidiu correr um pouco na minha frente.
- Vamos, Jim, duvido você me pegar! – Ela disse
- Tinha álcool no seu sorvete? Desde quando surgiu essa felicidade? – Ri.
- Pare de ser bobo, vamos por aí.
Ela me puxou pelo braço e começamos a correr feito duas crianças, fazia tempo que não me sentia com esse ar de jovem, acredito que desde que meu pai morreu, corremos por algumas ruas, e ela a minha frente, parece que éramos os únicos habitantes do mundo.
Mas não éramos.
Marie parou bem no meio de uma rua e um carro em alta velocidade veio para cima dela, e ela não teve reação. Não tive tempo de pensar, quando fui perceber, tinha empurrado Marie para a calçada, e quem ficou no meio da rua era eu.
Quando acordei já era horário do almoço, me levantei, fui à cozinha, dei um bom dia à minha mãe e almocei junto dela, em silêncio. Sai de casa e fui para a escola, minha aula começava 13h, mas eu sempre chegava adiantado. Aquele dia tinha passado rápido, tive aulas de história, filosofia e física, as minhas favoritas. Conversei pouco com Marie nas aulas, mas na saída nós confirmamos o combinado e decidimos que realmente iríamos, encontraríamos na sorveteria 20h. Saí da escola e cheguei em casa.
- Vai querer jantar antes de sair? – ela me perguntou
- Acho que não, como algo por lá.
- Ok, precisa de dinheiro?
- Não, eu tenho, obrigado, mãe.
- Certo.
Fui ao meu quarto e me troquei enquanto minha mãe ficou na cozinha. Quando ela sair, me chamou.
- Tome cuidado, ta? Eu te amo. – Ela me disse e deu um beijo na minha testa.
- Pode deixar, tchau.
Por mais afetiva que minha mãe fosse, ela não costumava dizer que me amava, mas não liguei. Quando cheguei na sorveteria, Marie já estava lá. Estava usando um shorts jeans e uma camiseta vermelha. Marie era muito bonita e inteligente, não ficava com caras que tinham baixo nível cultural, e mesmo apesar disso, nunca aconteceu nada entre nós.
Tomamos dois sorvetes cada um, e até ri um pouco, foi divertido. Saímos da sorveteria já era 22h, havia poucas pessoas nas ruas, acredito que a maioria das pessoas estava naquele maldito show.
Estávamos voltando para a casa de Marie andando quando ela decidiu correr um pouco na minha frente.
- Vamos, Jim, duvido você me pegar! – Ela disse
- Tinha álcool no seu sorvete? Desde quando surgiu essa felicidade? – Ri.
- Pare de ser bobo, vamos por aí.
Ela me puxou pelo braço e começamos a correr feito duas crianças, fazia tempo que não me sentia com esse ar de jovem, acredito que desde que meu pai morreu, corremos por algumas ruas, e ela a minha frente, parece que éramos os únicos habitantes do mundo.
Mas não éramos.
Marie parou bem no meio de uma rua e um carro em alta velocidade veio para cima dela, e ela não teve reação. Não tive tempo de pensar, quando fui perceber, tinha empurrado Marie para a calçada, e quem ficou no meio da rua era eu.
Abri os olhos, não me lembrava do que tinha acontecido.
Estava em uma praça e, quando olhei para o lado, vi uma figura estranha, que
estava de costas.
- Ei, quem é você aí? – Perguntei
- Vejo que acordou, Jim. – A pessoa estranha ainda estava de costas
- Sim, mas quem é você e onde eu estou?
- Você está morto Jim.
- É sério cara, onde eu estou?
- Eu já disse, Jim.
- Se você não quer responder, eu vou procurar saber onde estou eu mesmo, até mais, cara estranho.
- Você não pode.
A figura se virou até mim e caminhou lentamente, de uma forma estranha, eu não conseguia me mexer. O ser usava uma espécie de sobretudo preto, não tinha cabelo ou barba e os olhos eram claros.
- Eu sou Ariel, acho que você não me conhece – Ele disse.
- Creio que não, sou Jim.
- Sim, eu sei, fui quem te trouxe pra cá.
- Aqui onde?
- Aqui é um lugar que você vai me dizer se valeu a pena continuar vivendo.
- O que você bebeu, cara ?!
- Jim, eu sou um anjo.
- Beleza, eu sou um gárgula, quer ver? Olha, virei pedra. – Comecei a rir da cara do tal Ariel.
- Ok, se você não acredita...
Ariel encostou sua mão junto ao meu peito e tive um flashback de várias coisas da minha família, principalmente do meu pai, e pude ver Ariel no tiroteio em que meu pai morreu. Ele realmente era um anjo.
- Isso é impossível, como?
- Você salvou uma vida esta noite, Jim. Não é hora de você morrer, porém, você é quem vai me dizer se quer ou não.
- Então eu morri, mas posso voltar a viver?
- Sim. Mas antes vamos andar por aí, quero te mostrar como seria se você escolhesse não viver mais.
Eu e Ariel começamos a caminhar, e em de repente em um passo estávamos na escola.
- Aqui está sua escola. No dia seguinte todos ficaram sabendo da sua notícia e te honraram por ter salvo a vida de Marie, fizeram uma homenagem e todos ficaram emocionados.
- Sério? Não esperava isso deles.
- Sim, mas isso durou por pouco tempo. Depois de alguns meses, poucos se lembraram de você.
- Compreendo. – Percebi que eu sempre seria apenas um qualquer.
- Vamos continuar, Jim. Vamos para a casa daquele que te matou, o motorista.
Demos um passo para a fora da escola e estávamos em uma casa enorme, com dois empregados, dois filhos, uma mulher toda com jóias e um homem na casa de seus 50 anos lendo o jornal.
- Ei, quem é você aí? – Perguntei
- Vejo que acordou, Jim. – A pessoa estranha ainda estava de costas
- Sim, mas quem é você e onde eu estou?
- Você está morto Jim.
- É sério cara, onde eu estou?
- Eu já disse, Jim.
- Se você não quer responder, eu vou procurar saber onde estou eu mesmo, até mais, cara estranho.
- Você não pode.
A figura se virou até mim e caminhou lentamente, de uma forma estranha, eu não conseguia me mexer. O ser usava uma espécie de sobretudo preto, não tinha cabelo ou barba e os olhos eram claros.
- Eu sou Ariel, acho que você não me conhece – Ele disse.
- Creio que não, sou Jim.
- Sim, eu sei, fui quem te trouxe pra cá.
- Aqui onde?
- Aqui é um lugar que você vai me dizer se valeu a pena continuar vivendo.
- O que você bebeu, cara ?!
- Jim, eu sou um anjo.
- Beleza, eu sou um gárgula, quer ver? Olha, virei pedra. – Comecei a rir da cara do tal Ariel.
- Ok, se você não acredita...
Ariel encostou sua mão junto ao meu peito e tive um flashback de várias coisas da minha família, principalmente do meu pai, e pude ver Ariel no tiroteio em que meu pai morreu. Ele realmente era um anjo.
- Isso é impossível, como?
- Você salvou uma vida esta noite, Jim. Não é hora de você morrer, porém, você é quem vai me dizer se quer ou não.
- Então eu morri, mas posso voltar a viver?
- Sim. Mas antes vamos andar por aí, quero te mostrar como seria se você escolhesse não viver mais.
Eu e Ariel começamos a caminhar, e em de repente em um passo estávamos na escola.
- Aqui está sua escola. No dia seguinte todos ficaram sabendo da sua notícia e te honraram por ter salvo a vida de Marie, fizeram uma homenagem e todos ficaram emocionados.
- Sério? Não esperava isso deles.
- Sim, mas isso durou por pouco tempo. Depois de alguns meses, poucos se lembraram de você.
- Compreendo. – Percebi que eu sempre seria apenas um qualquer.
- Vamos continuar, Jim. Vamos para a casa daquele que te matou, o motorista.
Demos um passo para a fora da escola e estávamos em uma casa enorme, com dois empregados, dois filhos, uma mulher toda com jóias e um homem na casa de seus 50 anos lendo o jornal.
- Qual deles me matou? Aquele cara do jornal?
- Não Jim, foi o filho dele, ali no canto. Ele tinha bebido na última noite, pegou o carro do pai, e bem, o resto você já sabe. Mas depois disso, o seu pai pagou fiança e ele nem ligou por ter te matado.
- Ariel. – Fechei meu rosto.
- Sim?
- Se você é um anjo, porque está mostrando essas coisas para mim? Não, melhor, porque você não evitou que eu morresse? Você é igual estes humanos podres que circundam o mundo e o destroem dia após dia!
- Jim, há coisas nesta vida que nem nós anjos podemos mudar. Meu único poder agora é te mostra como seria se você não quisesse viver mais. Deus é o ser onipotente, mas cabe a você aceitá-lo ou não, de forma que você faz suas escolhas de acordo com quanto você acredita nEle.
- Você ainda não me convenceu, Ariel. Eu quero ver como minha mãe está.
Saímos da enorme casa e fomos para a minha humilde casa, onde minha mãe estava sentada na cozinha como sempre, me esperando.
- Ei, mãe? – Chamava.
- Ela não pode te ouvir, Jim.
- Mãe, estou aqui, olha pra mim, por favor!
- Sua mãe não tinha mais nada para viver por, agora apenas trabalha para se sustentar e chora todas as noites pelo seu marido e agora o filho. Sua mãe não vive, apenas sobrevive, Jim.
- Seu anjo maldito, como tem coragem de dizer isso? Você não teria que ser meu amigo? Tentar fazer com que a minha mãe ficasse feliz de alguma forma, e você só está aqui, me mostrando como ela está sofrendo!
- Jim, eu sou um curinga. Te mostrarei a realidade até quando doer mais que qualquer pesadelo. Minha função como anjo é esta no momento. Até aqui você viu que não houve consolo para ninguém. Há alguém importante que você queira ver, algum amigo ou familiar?
- Se você é um anjo de verdade sabe que não tenho amigos ou familiares próximos. Não me resta viver por mais tempo, acho que isso valeu a pena, eu continuaria vivendo apenas atrás de uma sombra.
- Você está errado, Jim. Há uma pessoa que você ainda não viu, e ela é a principal. Pense.
- Quem?
- Pergunte a si mesmo.
Parei por alguns segundos, e a resposta era óbvia.
- Marie.
- Sim, vemos vê-la.
Saímos de casa e ficamos e fomos para um quarto de hospital, e eu pude me ver ligado à aparelhos, inconsciente, com Marie do meu lado.
- Marie... – Fiquei pasmo ao vê-la com o rosto todo avermelhado, provavelmente de tanto chorar.
Marie ficou aqui por vários dias, Jim. Depois do acidente você ficou hospitalizado por vários dias sem dar sinal de que iria ficar bem, mas ela ficou aqui todo esse tempo ao seu lado.
- Ela é uma idiota, sabia que eu iria morrer.
- Não Jim, foi o filho dele, ali no canto. Ele tinha bebido na última noite, pegou o carro do pai, e bem, o resto você já sabe. Mas depois disso, o seu pai pagou fiança e ele nem ligou por ter te matado.
- Ariel. – Fechei meu rosto.
- Sim?
- Se você é um anjo, porque está mostrando essas coisas para mim? Não, melhor, porque você não evitou que eu morresse? Você é igual estes humanos podres que circundam o mundo e o destroem dia após dia!
- Jim, há coisas nesta vida que nem nós anjos podemos mudar. Meu único poder agora é te mostra como seria se você não quisesse viver mais. Deus é o ser onipotente, mas cabe a você aceitá-lo ou não, de forma que você faz suas escolhas de acordo com quanto você acredita nEle.
- Você ainda não me convenceu, Ariel. Eu quero ver como minha mãe está.
Saímos da enorme casa e fomos para a minha humilde casa, onde minha mãe estava sentada na cozinha como sempre, me esperando.
- Ei, mãe? – Chamava.
- Ela não pode te ouvir, Jim.
- Mãe, estou aqui, olha pra mim, por favor!
- Sua mãe não tinha mais nada para viver por, agora apenas trabalha para se sustentar e chora todas as noites pelo seu marido e agora o filho. Sua mãe não vive, apenas sobrevive, Jim.
- Seu anjo maldito, como tem coragem de dizer isso? Você não teria que ser meu amigo? Tentar fazer com que a minha mãe ficasse feliz de alguma forma, e você só está aqui, me mostrando como ela está sofrendo!
- Jim, eu sou um curinga. Te mostrarei a realidade até quando doer mais que qualquer pesadelo. Minha função como anjo é esta no momento. Até aqui você viu que não houve consolo para ninguém. Há alguém importante que você queira ver, algum amigo ou familiar?
- Se você é um anjo de verdade sabe que não tenho amigos ou familiares próximos. Não me resta viver por mais tempo, acho que isso valeu a pena, eu continuaria vivendo apenas atrás de uma sombra.
- Você está errado, Jim. Há uma pessoa que você ainda não viu, e ela é a principal. Pense.
- Quem?
- Pergunte a si mesmo.
Parei por alguns segundos, e a resposta era óbvia.
- Marie.
- Sim, vemos vê-la.
Saímos de casa e ficamos e fomos para um quarto de hospital, e eu pude me ver ligado à aparelhos, inconsciente, com Marie do meu lado.
- Marie... – Fiquei pasmo ao vê-la com o rosto todo avermelhado, provavelmente de tanto chorar.
Marie ficou aqui por vários dias, Jim. Depois do acidente você ficou hospitalizado por vários dias sem dar sinal de que iria ficar bem, mas ela ficou aqui todo esse tempo ao seu lado.
- Ela é uma idiota, sabia que eu iria morrer.
- Não, Jim. Mesmo que ela tivesse certeza que você morreria no próximo segundo, ela continuou ao seu lado. Ela te ama. Ela é mais do que uma amiga. Acredite Jim, se seu sonho era mudar o mundo, afirmo que você não conseguirá, infelizmente. O mundo continuará sendo este horror que os humanos que circundam fizeram, como você mesmo disse, mas você pode mudar o mundo de Marie. Vocês podem criar o mundo de vocês, lado a lado.
Depois que Ariel me disse tudo isso, eu não sabia o que fazer, até que Marie começou a falar.
- Ei Jim, lembra daquela vez que nós ficamos sozinhos na casa de seus pais quando tínhamos 10 anos? Era inverno. Sua mãe fez chocolate quente pra nós antes de sair e ficamos assistindo aquele filme juntos, até que você dormiu, cabeçudo. Eu não estava com sono, mas me deitei do seu lado e também tentei dormir. Acho que aí surgiu o meu sentimento por você, e cada dia foi crescendo.
-Eu me lembro desse dia. – Disse à Ariel.
- E quando seu pai morreu, nos tornamos mais próximos, lembra? Éramos o mundo um do outro, a chave para o segredo de um. E você não percebeu mas, a cada dia mais eu gostava de você, queria você só pra mim. E agora eu perdi a oportunidade de te dizer isso, Jim. Me desculpa, eu só queria dizer que...
Nesse momento não agüentei, comecei a derramar lágrimas e ela ficou em silêncio e também começou a chorar, até que disse.
- Eu te amo Jim, sempre te amei. – Ela se levantou da cadeira ao lado da minha cama e foi para o corredor do hospital.
- Agora minha pergunta final, Jim, como uma curinga, como um anjo. Você quer voltar à viver ou prefere morrer e deixar este mundo como você acabou de ver? Pense bem, tem o tempo que quiser.
- Eu quero voltar, Ariel. – Voltar logo após o acidente, quero continuar minha vida, quero transformar o mundo, não, quero transformar o mundo de Marie, e o meu mundo.
- É você quem escolhe, Jim. Selecionou a melhor opção. Acredito que nos encontraremos algum dia, ou não. Adeus. – Ariel coloca novamente sua mão sobre meu peito.
Quando abri os olhos, estava na mesma cama que tinha visto,
e Marie estava do meu lado, dormindo. A
cutuquei e lentamente ela foi acordando, até perceber que eu tinha despertado.
- Jim...? Jim! Você acordou! – Ela disse chorando de felicidade.
- Claro que sim, você achou que eu ia morrer? É preciso muito mais que um carro para me matar.
- Jim, eu fiquei tão preocupada, eu achei que você não fosse voltara para mim. – Ela não parava de chorar.
- Ei, pare de chorar, eu estou aqui, não estou? – Perguntei com uma voz delicada à ela.
- Sim, está. – Ela finalmente sorriu.
- Você pode ir chamar alguém e dizer que eu estou bem? – Perguntei
- Ok, vou, já volto.
Assim que ela saiu do quarto, olhei para o outro lado do quarto e sentado numa cadeira, estava Ariel, me olhando.
- Você vai mudar o mundo, Jim? – Ele me perguntou.
- Sim Ariel, eu irei. Irei transformar outro mundo. O meu mundo.
- Jim...? Jim! Você acordou! – Ela disse chorando de felicidade.
- Claro que sim, você achou que eu ia morrer? É preciso muito mais que um carro para me matar.
- Jim, eu fiquei tão preocupada, eu achei que você não fosse voltara para mim. – Ela não parava de chorar.
- Ei, pare de chorar, eu estou aqui, não estou? – Perguntei com uma voz delicada à ela.
- Sim, está. – Ela finalmente sorriu.
- Você pode ir chamar alguém e dizer que eu estou bem? – Perguntei
- Ok, vou, já volto.
Assim que ela saiu do quarto, olhei para o outro lado do quarto e sentado numa cadeira, estava Ariel, me olhando.
- Você vai mudar o mundo, Jim? – Ele me perguntou.
- Sim Ariel, eu irei. Irei transformar outro mundo. O meu mundo.
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