- Certo, com isso eu
só preciso pegar mais uma coisa e já vou poder voltar pra casa. – Disse.
-Mas que saco, onde tá? Melhor eu perguntar praquele cara. Ei, moço!
O repositor estava com fones, não me percebeu e eu fiquei ali o encarando por uns segundos, me virei de costa e voltei a procurar eu mesmo.
- Valeu cara, grande ajuda. É um saco isso... minha mãe me manda vir no mercado bem quando eu estava lendo e pra ajudar, não acho esse maldito molho.
Acabei dando umas voltas por ali e acabei encontrando, estava em uma prateleira perto do chão, tinha passado por ali algumas vezes mas não tinha visto.
- Aposto que foi aquele cara dos fones que colocou aqui, um lugar perfeito. Certo, hora de voltar pra casa.
Fui até o caixa e paguei pela comida que minha mãe tinha pedido, quando estava pegando as sacolas escutei um barulho.
-Que ótimo... chuva. Espero que ela venha me buscar.
Peguei meu celular e liguei para o número dela, com a esperança de que ela viesse com o carro me buscar.
-Caixa postal, que coisa linda.
Fiquei ali observando a chuva, estava com uma blusa, coloquei o capuz e vi que horas eram no meu celular. 15h42, 12 de janeiro de 2014, uma nova mensagem.
- Aposto que não é nada útil...Ótimo, meus créditos estão acabando, é um dia mágico para mim.
Estaria indo pro meu último ano de ensino médio, queria ser professor de matemática ou física, pessoas são complicadas demais para entender, e por tanta coisa passar na minha cabeça, eu ficava deitado ou caminhando enquanto pensava, não só sobre isso, mas como minha vida seria como a chuva que eu observava. Ela estava passando, cada gota era um dia, cada gota era um sorriso, uma amargura.
- É melhor eu ir andando... Essa chuva vai tardar passar.
Enquanto eu caminhava me acolhendo sobre os telhados, a chuva parecia mais barulhenta, parecia querer dizer que não passaria tão cedo.
- Não quer passar né? Aposto que quando chegar em casa e eu estiver todo molhado, você vai parar. –Disse com um sorriso.
A chuva ficou começou a ficar cada vez mais forte e acabei ficando incapaz de sair daquele telhado que estava me acolhendo. Acabei sentando ali e deixei as sacolas do meu lado enquanto olhava para o céu e via a chuva cair.
-I feel it’s gonna rain like this for days... Creed me matando do tédio.
Eu não era o cara mais descolado, mais atlético nem inteligente da escola, eu era só eu. Raramente me dava mal nas provas, tirava as necessárias para não reprovar, tinha poucos amigos, mas só conversava com eles na escola, nada mais do que isso. Meus amigos eram os livros, toda essa fantasia que eu criava. Conseguia criar uma história em minha cabeça com personagens bem carismáticos e costumava deixar o principal um rapaz irônico, assim como eu era.
-Mas que saco, onde tá? Melhor eu perguntar praquele cara. Ei, moço!
O repositor estava com fones, não me percebeu e eu fiquei ali o encarando por uns segundos, me virei de costa e voltei a procurar eu mesmo.
- Valeu cara, grande ajuda. É um saco isso... minha mãe me manda vir no mercado bem quando eu estava lendo e pra ajudar, não acho esse maldito molho.
Acabei dando umas voltas por ali e acabei encontrando, estava em uma prateleira perto do chão, tinha passado por ali algumas vezes mas não tinha visto.
- Aposto que foi aquele cara dos fones que colocou aqui, um lugar perfeito. Certo, hora de voltar pra casa.
Fui até o caixa e paguei pela comida que minha mãe tinha pedido, quando estava pegando as sacolas escutei um barulho.
-Que ótimo... chuva. Espero que ela venha me buscar.
Peguei meu celular e liguei para o número dela, com a esperança de que ela viesse com o carro me buscar.
-Caixa postal, que coisa linda.
Fiquei ali observando a chuva, estava com uma blusa, coloquei o capuz e vi que horas eram no meu celular. 15h42, 12 de janeiro de 2014, uma nova mensagem.
- Aposto que não é nada útil...Ótimo, meus créditos estão acabando, é um dia mágico para mim.
Estaria indo pro meu último ano de ensino médio, queria ser professor de matemática ou física, pessoas são complicadas demais para entender, e por tanta coisa passar na minha cabeça, eu ficava deitado ou caminhando enquanto pensava, não só sobre isso, mas como minha vida seria como a chuva que eu observava. Ela estava passando, cada gota era um dia, cada gota era um sorriso, uma amargura.
- É melhor eu ir andando... Essa chuva vai tardar passar.
Enquanto eu caminhava me acolhendo sobre os telhados, a chuva parecia mais barulhenta, parecia querer dizer que não passaria tão cedo.
- Não quer passar né? Aposto que quando chegar em casa e eu estiver todo molhado, você vai parar. –Disse com um sorriso.
A chuva ficou começou a ficar cada vez mais forte e acabei ficando incapaz de sair daquele telhado que estava me acolhendo. Acabei sentando ali e deixei as sacolas do meu lado enquanto olhava para o céu e via a chuva cair.
-I feel it’s gonna rain like this for days... Creed me matando do tédio.
Eu não era o cara mais descolado, mais atlético nem inteligente da escola, eu era só eu. Raramente me dava mal nas provas, tirava as necessárias para não reprovar, tinha poucos amigos, mas só conversava com eles na escola, nada mais do que isso. Meus amigos eram os livros, toda essa fantasia que eu criava. Conseguia criar uma história em minha cabeça com personagens bem carismáticos e costumava deixar o principal um rapaz irônico, assim como eu era.
- Parece que parou um pouco, melhor eu me mexer, já se faz quase 20 minutos que saí do mercado, daqui a pouco minha mãe acha que eu morri. Nah, ela ligaria pra mim. Quer dizer, me atenderia.
Comecei a andar e achei uma rua que não conhecia, fui andando um pouco mais e achei um galpão aberto sem ninguém ali. Peguei refúgio.
- Ok... agora não sei onde estou. Devia ter pegado algumas batatinhas para comer, tédio me deu fome. Eu me lembro bem de você chuva. Quando eu era pequeno eu tinha medo dos seus trovões, me escondia debaixo do cobertor e ficava arrepiado com cada clarão e agora, você está aqui, comigo. Atrapalhando-me, mas está. – Sorri.
Fiquei ali encolhido, alguns minutos se passaram e acabei caindo no sono ao som da queda da chuva.
Ouvi um barulho de respiração pesado e acabei acordando.
-Ahn? Mas o quê é aquilo ali? – Esfregava os olhos.
Prestei atenção e vi que era uma garota, tinha longos cabelos pretos e uma pele clara, usava uma blusa preta e uma calça jeans de cor clara. Estava olhando para a chuva, não tinha me percebido ali e não sabia como chamar a atenção para ela me ver.
- Ok... Ei! – Falei alto.
Ela se virou assustada e ficou me encarando.
- Tudo bem? –Perguntei.
- Oi... tudo, e você? –Ela disse sem olhar para mim.
- Acho que não né, essa chuva toda. Não precisa ter medo, venha até aqui, vai acabar se molhando aí.
- Desculpa, eu achei que você fosse um mendigo ou alguma coisa assim. – Ela me disse enquanto se aproximava.
-Eu não sou tão feio assim, eu acho. Qual é o seu nome?
- Lilith, e o seu?
- É Arthur. Traída pela chuva também?
- Sim, eu estava caminhando, não percebi e começou a chover, estava voltando pra casa, mas ficou muito forte.
- Linda história não acha?
Ela riu.
- Bom, até essa chuva passar, tem alguma ideia do que fazer ? –Perguntei.
- Não sei, talvez, conversar?
- Eu não sou bom nisso, mas vamos lá.
- Quantos anos você tem Arthur?
- Tenho 16, faço 17 esse ano, e você?
- Tenho 17, faço 18 no mês que vem.
- Quer dizer que você se formou mês passado? –Me espantei.
- Sim, acho que foi o melhor dia que vivi até hoje.
- Eu vou para o terceiro ano agora... pode me dizer como é?
Começamos a conversar. A Lilith queria ser psicóloga, tinha feito a prova da universidade e o resultado sairia dali alguns dias, estava empolgada contando sobre seu último ano de escola, o quanto já sente falta, mesmo tendo passado apenas um mês, os professores, os amigos, a carteira no canto da sala que ela imaginava o mundo fora daqueles muros. E agora ela estava ali, fora dos muros, em um galpão com um desconhecido.
- Havia uma professora, ela sempre fazia piadas, mas todas eram ruins, mas mesmo assim todos riam, ela conseguia deixar a aula tão suave que a matéria entrava fácil nas nossas cabeças ocas. - Ela falava.
- Eu tive um professor assim também...
- Sério? Qual era o nome dele?
- Arthur.
- Um professor com o nome igual o seu? Interessante.
- Ele era meu pai.
- Desculpa... ele faleceu?
- Sim, em um acidente de carro enquanto ia pra escola em que ele lecionava. Isso foi dois anos atrás, foi por isso que eu me isolei de tudo e todos, e meu grande sonho é ser tornar um professor, assim como ele, mas não de história, humanos são complicados sabe? Matemática é aquilo e acabou.
- Você parece ser um cara sonhador, se daria bem com alguma outra matéria também, você também é complicado, Arthur.
- Disse a garota que quer trabalhar com loucos, prometo dar uma passada em seu consultório um dia desses, certo?
- E também é um besta, mas engraçado.
Rimos um do outro e a chuva tinha parado, nos levantamos e fomos ver como a rua estava.
-Você conhece aqui? Eu me perdi. – Perguntei.
- Não, vou fazer o mesmo caminho que fiz para chegar até aqui, acho que encontro o caminho.
- Ótima ideia, cuidado se perder mais ainda. – Disse.
- Engraçadinho... Arthur, aquilo ali, é um...
- Um Arco-íris? Está tão perto daqui.
- Sim, o que acha de chegarmos até lá?
- O que você espera, um duende verde com um pote de ouro?
- Idiota, vamos, já perdemos um bom tempo aqui, o que custa. – Ela me puxou.
Saímos correndo, as ruas estavam desertas, não se via ou ouvia nada além do barulho de água escorrendo pelos bueiros. Chegamos até onde estávamos muito perto do arco íris.
- Foi divertido e me parece que alguém está cansado. – ela riu
- Não sou muito fã de esportes, dá pra perceber. – respondi.
- Parece um conto de fadas não é?
- O quê? Eu ser um magrelo que não aguenta correr? Concordo. – Respondi.
- Tonto, o fato de nos encontrarmos na chuva, e chegarmos até o fim do arco íris. Agora sim seria uma boa hora de você dizer que é uma história linda.
- Seria mais linda se tivesse um banco para eu descansar.
- Enquanto as rosas caiam, as lágrimas não se cessavam. – Ela disse.
- Quê? – Indaguei.
- Mesmo que a tempestade já tivesse ido, o arco íris não assumira forma.
- O que você tá falando, nem começou seu curso e já ficou louca?
- As cores foram embora, deixando apenas o cinza. Deixando apenas o preto. E apenas o silêncio.
- Lilith, o que é isso?
De repente ela veio andando para mim, lentamente. Contornou os braços sobre meu pescoço e olhou profundamente para mim. Foi se aproximando, até que nossos lábios se tocaram e...
- Oi? Moço? Posso te ajudar? – O rapaz do fone me perguntou.
- Ahn? – Estranheei.
- O senhor não me chamou?
- Erm.. Não
- Ah, desculpa, com os fones ouço coisas, se precisar de algo, me avise, tenha um bom dia, senhor. – Me disse.
- Mas o quê? Eu estava... ah, esquece.
Não tinha entendido o que estava acontecendo, acho que acabei sonhando e fui até o caixa. Paguei e quando estava saindo do mercado vi alguém ali na minha frente, ela se virou e era ela.
- Ei, Lilith! Espere, por favor!
A chuva não havia parado, era uma chuva como os sorrisos daquela conversa, incessante.··.
0 comentários
Postar um comentário