-Ei, acorda, papai, já está na hora! – Ele me dizia.
-Ahn?
-Eu já estou indo embora com a mamãe, só volto semana que vem, acorda!
Levantei-me do sofá e esfreguei os olhos enquanto meu filho, Thomas, de 7 anos esperava que eu lhe dissesse tchau.
- Mas já? Ainda são 14h. – Perguntei.
-Mamãe disse que temos que fazer várias coisas e que eu preciso ir logo, ela tá lá fora me esperando no carro. – Ele disse.
-Pegou tudo que queria daqui?
-Peguei, mas vou deixar algumas coisas, ainda vou voltar pra cá nos finais de semana.
-E aquele seu boneco... O pássaro, qual era o nome? Igor, Ig...?
-Ignis! É Ignis, papai, ele é uma fênix! Eu vou deixar ele aqui.
-Hm? Deixá-lo? Mas é seu brinquedo favorito.
-Eu sei, mas foi você quem me deu, eu acho melhor deixar ele aqui, assim você também se lembra de mim.
-Eu não preciso de um boneco pra lembrar de você, espertinho. Tem certeza que quer deixar ele aqui? Você pode levar se quiser.
-Tenho!
Depois que ele disse isso todo empolgado, ouvimos uma buzina. Era o carro da minha esposa, a Rosie. Tínhamos nos separado há alguns dias, e ela já tinha arrumado um apartamento para morar, onde ia morar com nosso único filho. Apesar de tudo, ele não se mostrava triste, apesar de eu saber que ele morria de tristeza por dentro.
-Sua mãe está com pressa, melhor irmos andando. – Disse.
-Certo, vamos lá comigo? – Ele perguntou, tentando fazer uma cara de dó, que parecia mais engraçada do que dramática.
-Ok, eu levo suas malas.
Fomos até o carro, coloquei as malas no porta mala e esperei ele entrar no carro.
-Papai, hoje ainda é segunda, mas sábado eu volto aqui, certo? – Perguntou com a porta do carro aberta.
-Certo, me ligue antes, alugo um filme daqueles de mitologia que você gosta e assistimos juntos, que tal?
-Tá bom, mas me diga o filme antes, não quero ver filme repetido, eu posso trazer algum!
-Ok, você traz então, um que nunca tenha visto.
-Pode deixar!
-Ahn?
-Eu já estou indo embora com a mamãe, só volto semana que vem, acorda!
Levantei-me do sofá e esfreguei os olhos enquanto meu filho, Thomas, de 7 anos esperava que eu lhe dissesse tchau.
- Mas já? Ainda são 14h. – Perguntei.
-Mamãe disse que temos que fazer várias coisas e que eu preciso ir logo, ela tá lá fora me esperando no carro. – Ele disse.
-Pegou tudo que queria daqui?
-Peguei, mas vou deixar algumas coisas, ainda vou voltar pra cá nos finais de semana.
-E aquele seu boneco... O pássaro, qual era o nome? Igor, Ig...?
-Ignis! É Ignis, papai, ele é uma fênix! Eu vou deixar ele aqui.
-Hm? Deixá-lo? Mas é seu brinquedo favorito.
-Eu sei, mas foi você quem me deu, eu acho melhor deixar ele aqui, assim você também se lembra de mim.
-Eu não preciso de um boneco pra lembrar de você, espertinho. Tem certeza que quer deixar ele aqui? Você pode levar se quiser.
-Tenho!
Depois que ele disse isso todo empolgado, ouvimos uma buzina. Era o carro da minha esposa, a Rosie. Tínhamos nos separado há alguns dias, e ela já tinha arrumado um apartamento para morar, onde ia morar com nosso único filho. Apesar de tudo, ele não se mostrava triste, apesar de eu saber que ele morria de tristeza por dentro.
-Sua mãe está com pressa, melhor irmos andando. – Disse.
-Certo, vamos lá comigo? – Ele perguntou, tentando fazer uma cara de dó, que parecia mais engraçada do que dramática.
-Ok, eu levo suas malas.
Fomos até o carro, coloquei as malas no porta mala e esperei ele entrar no carro.
-Papai, hoje ainda é segunda, mas sábado eu volto aqui, certo? – Perguntou com a porta do carro aberta.
-Certo, me ligue antes, alugo um filme daqueles de mitologia que você gosta e assistimos juntos, que tal?
-Tá bom, mas me diga o filme antes, não quero ver filme repetido, eu posso trazer algum!
-Ok, você traz então, um que nunca tenha visto.
-Pode deixar!
Ele entrou no banco de trás e a Rosie abaixou o vidro do
lado do passageiro.
-Você pode me ligar se precisar de algo, se quiser ver ele ou qualquer outra coisa, ele sempre será seu filho. –Ela me disse de um jeito meigo que eu sempre amei.
-Obrigado, se precisar de algo, me ligue, não importa o horário, se ele passar mal, posso leva-lo ao hospital, se você precisar viajar, ele pode ficar aqui comigo, bom, qualquer coisa.
-Obrigada, de verdade.
-Ei, Thomas, não de problemas para sua mãe hein? Seja um bom garoto.
-Pode deixar. – Ele me respondeu.
-Tchau pra vocês, até sábado, Thomas.
-Tchau, papai!
-Obrigada, Alex. – Rosie me disse enquanto abaixava o vidro.
Vi o carro se distanciando por alguns segundos, e logo voltei pra casa, ainda estava sonolento. Tinha ficado a madrugada inteira trabalhando, fui dormir já eram 8h. Não tinha mais nenhum trabalho para fazer pelo resto do dia, tinha sido dispensado para fazer um projeto em casa por uma semana, mas acabei terminando em uma madrugada, então fui tirar um cochilo. Me deitei no sofá, pensei em como seria se eu não trabalhasse tanto, fiquei imaginando...
-Querido, já é hora de acordar. –Ela me disse.
-Quê? –Respondi.
-São 7h, não vai tomar banho e comer algo?
-Ahn? Como assim?
-Você está bem? Você vai trabalhar hoje.
-Trabalhar? Mas eu... Bom, deixa pra lá.
Me levantei da cama sem ao menos saber com quem eu estava falando e fui para o banheiro, com os olhos quase fechando de tanto sono. Nem tomei banho, escovei os dentes e fui para a cozinha.
-Papai, vou ter uma apresentação de teatro na escola, na semana que vem! Você tem que vir! – Thomas me disse.
-Thomas? O que você está fazendo aqui?
-Como assim papai? Ainda são 7h15, eu entro pra escola 8h ué.
-Não, não é isso... você não tinha ido...
-Está tudo bem Alex? Você parece meio perdido hoje... – Rosie me disse.
-Rosie? – Estranheei.
-Sim...?
-Que dia é hoje? – Perguntei ao Thomas.
-Deixa eu ver... é 3 de fevereiro de 2014 papai, por quê?
3 de fevereiro... Thomas saiu de casa no dia 27 de abril, o que estava acontecendo? Era um sonho? Mas tudo parecia tão real.
-Ai! – Resmunguei.
-Pra que se beliscar? Ainda tá com sono? – Rosie me perguntou.
-Você pode me ligar se precisar de algo, se quiser ver ele ou qualquer outra coisa, ele sempre será seu filho. –Ela me disse de um jeito meigo que eu sempre amei.
-Obrigado, se precisar de algo, me ligue, não importa o horário, se ele passar mal, posso leva-lo ao hospital, se você precisar viajar, ele pode ficar aqui comigo, bom, qualquer coisa.
-Obrigada, de verdade.
-Ei, Thomas, não de problemas para sua mãe hein? Seja um bom garoto.
-Pode deixar. – Ele me respondeu.
-Tchau pra vocês, até sábado, Thomas.
-Tchau, papai!
-Obrigada, Alex. – Rosie me disse enquanto abaixava o vidro.
Vi o carro se distanciando por alguns segundos, e logo voltei pra casa, ainda estava sonolento. Tinha ficado a madrugada inteira trabalhando, fui dormir já eram 8h. Não tinha mais nenhum trabalho para fazer pelo resto do dia, tinha sido dispensado para fazer um projeto em casa por uma semana, mas acabei terminando em uma madrugada, então fui tirar um cochilo. Me deitei no sofá, pensei em como seria se eu não trabalhasse tanto, fiquei imaginando...
-Querido, já é hora de acordar. –Ela me disse.
-Quê? –Respondi.
-São 7h, não vai tomar banho e comer algo?
-Ahn? Como assim?
-Você está bem? Você vai trabalhar hoje.
-Trabalhar? Mas eu... Bom, deixa pra lá.
Me levantei da cama sem ao menos saber com quem eu estava falando e fui para o banheiro, com os olhos quase fechando de tanto sono. Nem tomei banho, escovei os dentes e fui para a cozinha.
-Papai, vou ter uma apresentação de teatro na escola, na semana que vem! Você tem que vir! – Thomas me disse.
-Thomas? O que você está fazendo aqui?
-Como assim papai? Ainda são 7h15, eu entro pra escola 8h ué.
-Não, não é isso... você não tinha ido...
-Está tudo bem Alex? Você parece meio perdido hoje... – Rosie me disse.
-Rosie? – Estranheei.
-Sim...?
-Que dia é hoje? – Perguntei ao Thomas.
-Deixa eu ver... é 3 de fevereiro de 2014 papai, por quê?
3 de fevereiro... Thomas saiu de casa no dia 27 de abril, o que estava acontecendo? Era um sonho? Mas tudo parecia tão real.
-Ai! – Resmunguei.
-Pra que se beliscar? Ainda tá com sono? – Rosie me perguntou.
Fiquei em choque
por alguns segundos, não era um sonho, não estava imaginando aquilo, era tudo
real, mas como era possível? Eu voltei no tempo? Estava delirando? Não sabia o
que fazer. Então o telefone tocou
-Deixa que eu atendo. –Rosie disse.
-Papai, você dormiu bem? –Thomas me perguntou.
-Sim filho, papai está só com um pouco de dor de cabeça, de tanto trabalhar...
-Você trabalha bastante né papai, deveria descansar um pouco, sua cabeça vai explodir se pensar tanto assim.
Minha cabeça vai explodir se eu pensar tanto... Thomas já tinha me dito isso, não fazia muito tempo, umas 3 semanas atrás... espera, foi nesse dia? Estou voltando atrás? Não entendo mais nada.
-Alex, ligaram da empresa, a sua viagem teve que ser cancelada, parece que um dos seus encarregados passou mal e não pode ir.
-Viagem? Qual delas?
-Aquela que você disse que ficaria alguns dias fora, ia fazer um projeto de um grande prédio.
Essa viagem, eu me lembro, foi a primeira viagem que tive no trabalho. Depois dessa acabei tendo que viajar praticamente toda semana, não parava na cidade em que moro, e quando parava, estava trabalhando, não tinha tempo pra minha mulher, nem pro meu filho, até que eu e minha esposa começamos a brigar, e nos separamos, apesar de gostarmos ainda um do outro, não podíamos manter essa relação.
Isso já tinha acontecido. Deram-me uma segunda chance? Uma chance de consertar tudo isso? Não é possível.
-Então não preciso ir trabalhar hoje, os outros encarregados iriam se comunicar com os clientes, vou ligar confirmando.
Liguei para um dos meus colegas de trabalho, o Anthony. Era meu melhor amigo dentro daquela empresa.
-Alô? – Uma voz rouca vinda do outro lado da linha.
-Parece que alguém não vai viajar hoje. – Disse.
-Alex? É você? Já ficou sabendo?
-Sim, liguei pra perguntar se eu tenho que ir trabalhar hoje, já que não teremos trabalho pra fazer.
-Não, não precisa ir, só amanhã de manhã, parece que a viagem será adiada por uns dias.
-Certo, entendi, até amanhã, então.
-Até. – Desliguei o telefone.
Ainda não estava entendo nada do que estava acontecendo, mas decidi aproveitar.
-Não vou precisar ir trabalhar hoje, vai ser meu dia de folga. –Disse pros dois.
-Sério papai? Posso faltar da escola pra ficar aqui com vocês? – Thomas me perguntou.
-Hmmmmm... não sei, como andam suas notas? – Perguntei.
-Eu fui mal na última prova... mas elas estão boas, eu juro!
-Hmmmmmmmmmmmmm. –Fiz uma cara de desconfiança.
-Papai, por favor!
-Haha, cabeçudo, é claro que você pode. –Disse enquanto bagunçava seu cabelo.
-Certo, o que vamos fazer? Podemos brincar de bonecos, ou jogar vídeo game, ou ver desenhos, ou ir andar pelo parque!
-Deixa que eu atendo. –Rosie disse.
-Papai, você dormiu bem? –Thomas me perguntou.
-Sim filho, papai está só com um pouco de dor de cabeça, de tanto trabalhar...
-Você trabalha bastante né papai, deveria descansar um pouco, sua cabeça vai explodir se pensar tanto assim.
Minha cabeça vai explodir se eu pensar tanto... Thomas já tinha me dito isso, não fazia muito tempo, umas 3 semanas atrás... espera, foi nesse dia? Estou voltando atrás? Não entendo mais nada.
-Alex, ligaram da empresa, a sua viagem teve que ser cancelada, parece que um dos seus encarregados passou mal e não pode ir.
-Viagem? Qual delas?
-Aquela que você disse que ficaria alguns dias fora, ia fazer um projeto de um grande prédio.
Essa viagem, eu me lembro, foi a primeira viagem que tive no trabalho. Depois dessa acabei tendo que viajar praticamente toda semana, não parava na cidade em que moro, e quando parava, estava trabalhando, não tinha tempo pra minha mulher, nem pro meu filho, até que eu e minha esposa começamos a brigar, e nos separamos, apesar de gostarmos ainda um do outro, não podíamos manter essa relação.
Isso já tinha acontecido. Deram-me uma segunda chance? Uma chance de consertar tudo isso? Não é possível.
-Então não preciso ir trabalhar hoje, os outros encarregados iriam se comunicar com os clientes, vou ligar confirmando.
Liguei para um dos meus colegas de trabalho, o Anthony. Era meu melhor amigo dentro daquela empresa.
-Alô? – Uma voz rouca vinda do outro lado da linha.
-Parece que alguém não vai viajar hoje. – Disse.
-Alex? É você? Já ficou sabendo?
-Sim, liguei pra perguntar se eu tenho que ir trabalhar hoje, já que não teremos trabalho pra fazer.
-Não, não precisa ir, só amanhã de manhã, parece que a viagem será adiada por uns dias.
-Certo, entendi, até amanhã, então.
-Até. – Desliguei o telefone.
Ainda não estava entendo nada do que estava acontecendo, mas decidi aproveitar.
-Não vou precisar ir trabalhar hoje, vai ser meu dia de folga. –Disse pros dois.
-Sério papai? Posso faltar da escola pra ficar aqui com vocês? – Thomas me perguntou.
-Hmmmmm... não sei, como andam suas notas? – Perguntei.
-Eu fui mal na última prova... mas elas estão boas, eu juro!
-Hmmmmmmmmmmmmm. –Fiz uma cara de desconfiança.
-Papai, por favor!
-Haha, cabeçudo, é claro que você pode. –Disse enquanto bagunçava seu cabelo.
-Certo, o que vamos fazer? Podemos brincar de bonecos, ou jogar vídeo game, ou ver desenhos, ou ir andar pelo parque!
- Já faz um bom tempo que você tem um tempo pra nós. – Rosie me disse enquanto Thomas falava sozinho sobre o que iríamos fazer.
- Sim, mas é hora de mudar um pouco disso tudo. – Disse à ela.
-Então papai, o que vamos fazer?
-Que tal pegarmos o carro e irmos até o lago e fazermos um pique nique?
-Certo, eu vou levar o Ignis também, ele pode voar por lá!
-Ok, ok, ainda é cedo, vamos tomar café e arrumar as malas bem devagar.
A comida era real. Eu podia sentir o gosto, podia sentir o leve frio da manhã, ouvir o canto dos pássaros, mas mesmo assim, não parecia. Tomei café e ajudei Rosie a arrumar as malas, ela estava tão linda naquele dia, com um vestido azul. Tínhamos nos conhecido 10 anos atrás, no último ano de escola, conversávamos pouco, e depois da escola não nos falamos mais até um dia em que a encontrei num restaurante, tivemos uma conversa legal e começamos a nos falar mais todos os dias, até que nós ficamos, e depois de um tempo, casamos e tivemos o Thomas. Não era nenhum conto de fadas, mas para mim, era a história mais linda do mundo. Ela tinha a capacidade de transformar o meu mundo num conto de fadas.
Partimos ao lago, que não ficava muito longe da cidade, menos de uma hora de viagem. Quando chegamos lá, havia poucas pessoas. Ainda era dia da semana, então era comum. Estendemos um pano de baixo de uma árvore e ficamos ali deitados, conversando e comendo. Foi um dia que eu nunca tinha tido antes, nunca pude desfrutar daquilo, era a primeira vez.
As nuvens formavam um céu fantástico, mas não proibia o sol de brilhar e fazer um dia maravilhoso. A comida que Rosie tinha levado era deliciosa, e ela estava contente por estarmos todos juntos. E Thomas não parava de falar, parecia um tagarela falando sem parar daquele jeito, apesar de eu estar feliz por poder observar sorrisos nas pausas de suas falas.
Quando voltamos para casa, ainda eram 15h. Voltei dirigindo bem calmamente, escutando uma música relaxante. Thomas e Rosie estavam quietos, observando a paisagem.
Chegando em casa, desfizemos as malas e fomos para a sala. Deitei no sofá e Thomas chegou para conversar comigo.
-Papai, estou cansado, acho que vou dormir um pouquinho, agora são 15h45, me acorda 17h15, tá bom? – Ele me disse enquanto esfregava os olhos.
-Certo, vai lá. – Respondi.
-Alex, também vou descansar um pouco, me chame antes de escurecer. – Rosie me disse.
-Ok, bons sonhos.
Eles foram dormir e eu fiquei deitado no sofá da sala, pensando, imaginando.
-Eu poderia ter a vida perfeita a partir de agora. Recomeçar, fazer tudo certo desta vez, quem sabe. Aproveitar mais, viver mais.
Vi Ignis, o boneco do Thomas no chão e estranhei, ele nunca tinha deixado o boneco precioso dele largado assim, então peguei com uma mão.
-Ignis não é? Do Latim, fogo. Criativo, para uma fênix. A que renasce das cinzas. Eu poderia ser uma fênix, assim como você, certo Ignis? Poderia ter sido destruído, mas agora renasceria das cinzas.
-Mas não. Não é real, é tudo ilusão.
As paredes começaram a despedaçar como se fossem um vitral, o chão se desfez e tudo se desmoronou enquanto eu segurava Ignis. Tudo caiu aos pedaços e de repente, me via num vazio. Um vazio branco. Tentei andar, mas não saia do lugar. Olhava para baixo, olhava para cima, e nada, estava preso. Preso numa prisão da mistura de cores. Um cubo branco. Tinha criado nesta prisão o meu sonho, meu paraíso, e me trancafiei ali dentro, no meu paraíso de mentira. Era preciso acordar.
Olhei para Ignis e ele se transformou em cinzas na minha mão. Fechei os olhos e gritei:
-Acorde para a realidade, fuja deste cubo branco!
Quando percebi, estava em casa, deitado no sofá. O mesmo que eu estava no cubo. Me levantei e Ignis estava no chão, olhei para ele e percebi que eu renasceria, sim. Mas de verdade, não em um mundo falso.
Uma lágrima escorreu pelo meu rosto, ao mesmo tempo em que um sorriso expandia. Não era feliz, mas era real.
As paredes começaram a despedaçar como se fossem um vitral, o chão se desfez e tudo se desmoronou enquanto eu segurava Ignis. Tudo caiu aos pedaços e de repente, me via num vazio. Um vazio branco. Tentei andar, mas não saia do lugar. Olhava para baixo, olhava para cima, e nada, estava preso. Preso numa prisão da mistura de cores. Um cubo branco. Tinha criado nesta prisão o meu sonho, meu paraíso, e me trancafiei ali dentro, no meu paraíso de mentira. Era preciso acordar.
Olhei para Ignis e ele se transformou em cinzas na minha mão. Fechei os olhos e gritei:
-Acorde para a realidade, fuja deste cubo branco!
Quando percebi, estava em casa, deitado no sofá. O mesmo que eu estava no cubo. Me levantei e Ignis estava no chão, olhei para ele e percebi que eu renasceria, sim. Mas de verdade, não em um mundo falso.
Uma lágrima escorreu pelo meu rosto, ao mesmo tempo em que um sorriso expandia. Não era feliz, mas era real.
Ignorando os problemas de gramática, digitação, etc, é possível observar aqui, sob o véu da narrativa familiar (muito americanizada, diga-se de passagem), a convivência dos tempos. A temporalidade é, de fato, um aspecto importantíssimo para nossa condição atual. Vejo uma fotografia e estou no passado, quando subitamente ouço o microondas, o telefone, ou a chaleira, e estou no presente novamente, estou no futuro quando me pego sendo um ciborgue ninja, quando meu gato sobe em meu colo e estou no presente outra vez.
ResponderExcluirA essa poética, eu diria, cabe o sono, não mais o sonho, como outrora. A poética do cansaço, da exaustão, do cubo-branco-com-sofá-dentro, do indecidível (realidade? sonho? o narrador diz realidade, eu digo imaginação).
Bom para pensar.