Ainda era por volta das quatro da tarde e infelizmente ainda
estava claro. Apesar de me sentir mais sozinho no escuro, me sentia mais
confortável. Em meio ao escuro eu não preciso fechar os olhos para ver o que eu
quiser, torna-se mais fácil de sonhar.
- Deitado tão cedo? – Ouço uma voz vindo da entrada do quarto.
Levanto a cabeça e vejo que era a a Sam.
- Não tem nada melhor para fazer por aí. – Respondi enquanto me sentava na cama.
- Nada? E a tarefa de inglês?
- Ainda não fiz, e você tá parecendo minha mãe.
- Beleza. E que tal se formos só caminhar por aí? É um dia bonito.
- Dia bonito pra mim é um dia nublado e bem escuro que dá pra dormir bem.
Ela me olhou com uma cara de triste e então reconsiderei. Coloquei um tênis e fomos para fora. Quando saí de casa senti o calor entrando na minha pele graças a minha camiseta preta e o sol intenso.
- Não sabia que estava tão calor. – Disse com uma cara desanimada.
- Relaxa, onde vamos vai estar sombreado. – E ela sorriu.
- Como assim, onde vamos? Vai me levar para onde?
- Até a praça do lago, lá é um bom lugar para relaxar.
A tal praça ficava há 10 minutos de caminhada a partir de casa. Durante todo percurso ela foi em frente sem dizer nada e eu a seguindo. Só pensava em que ela queria conversar em um dia aleatório.
Mesmo caminhando naquele pequeno trajeto eu sonhava. Sonhava que caminhava entre montanhas e conseguia ver uma bela paisagem. Ao longo do horizonte as nuvens davam espaço para o céu mostrar todo seu azul vívido. O vento emitia uma leve brisa sob meu rosto, e por mais que fosse apenas minha imaginação, por um breve momento eu me senti em paz.
- Deitado tão cedo? – Ouço uma voz vindo da entrada do quarto.
Levanto a cabeça e vejo que era a a Sam.
- Não tem nada melhor para fazer por aí. – Respondi enquanto me sentava na cama.
- Nada? E a tarefa de inglês?
- Ainda não fiz, e você tá parecendo minha mãe.
- Beleza. E que tal se formos só caminhar por aí? É um dia bonito.
- Dia bonito pra mim é um dia nublado e bem escuro que dá pra dormir bem.
Ela me olhou com uma cara de triste e então reconsiderei. Coloquei um tênis e fomos para fora. Quando saí de casa senti o calor entrando na minha pele graças a minha camiseta preta e o sol intenso.
- Não sabia que estava tão calor. – Disse com uma cara desanimada.
- Relaxa, onde vamos vai estar sombreado. – E ela sorriu.
- Como assim, onde vamos? Vai me levar para onde?
- Até a praça do lago, lá é um bom lugar para relaxar.
A tal praça ficava há 10 minutos de caminhada a partir de casa. Durante todo percurso ela foi em frente sem dizer nada e eu a seguindo. Só pensava em que ela queria conversar em um dia aleatório.
Mesmo caminhando naquele pequeno trajeto eu sonhava. Sonhava que caminhava entre montanhas e conseguia ver uma bela paisagem. Ao longo do horizonte as nuvens davam espaço para o céu mostrar todo seu azul vívido. O vento emitia uma leve brisa sob meu rosto, e por mais que fosse apenas minha imaginação, por um breve momento eu me senti em paz.
- Só
atravessar a rua e chegamos. – Sam disse.
Olhei para os lados para atravessar e vi uma garota que aparentava ter seus 16 anos, sorrindo. Qual teria sido o motivo? Uma piada, um elogio, uma conquista? Tantos motivos.
Chegamos a praça e logo nos sentamos em um banco.
- É bom, não é? – Sam disse com um sorriso bobo.
- O quê? – Respondi confuso.
- Tudo. Respirar ar puro, se sentir confortável, olhar o lago...
- É sim. Foi pra isso que me trouxe?
- Mais ou menos. Você está muito distante ultimamente, queria te trazer para cá para conversarmos. Eu me preocupo.
Olhei rapidamente para ela e vi sua expressão, confirmando que estava preocupada. Desviei o olhar e comecei a falar.
- Só prefiro ficar no meu canto, imaginando coisas boas.
- Imaginando coisas boas?
- Sim, como viajar por aí, conhecer novos lugares, pessoas, comidas e afazeres.
- Você sente bem assim?
- Enquanto sonho, sim. Mas quando o sol nasce e tenho um novo dia pela frente, me desanima.
- Mas antes você ria sempre.
Olhei para os lados para atravessar e vi uma garota que aparentava ter seus 16 anos, sorrindo. Qual teria sido o motivo? Uma piada, um elogio, uma conquista? Tantos motivos.
Chegamos a praça e logo nos sentamos em um banco.
- É bom, não é? – Sam disse com um sorriso bobo.
- O quê? – Respondi confuso.
- Tudo. Respirar ar puro, se sentir confortável, olhar o lago...
- É sim. Foi pra isso que me trouxe?
- Mais ou menos. Você está muito distante ultimamente, queria te trazer para cá para conversarmos. Eu me preocupo.
Olhei rapidamente para ela e vi sua expressão, confirmando que estava preocupada. Desviei o olhar e comecei a falar.
- Só prefiro ficar no meu canto, imaginando coisas boas.
- Imaginando coisas boas?
- Sim, como viajar por aí, conhecer novos lugares, pessoas, comidas e afazeres.
- Você sente bem assim?
- Enquanto sonho, sim. Mas quando o sol nasce e tenho um novo dia pela frente, me desanima.
- Mas antes você ria sempre.
E era
verdade. Antes eu era um palhaço que ria de tudo. Mas aos poucos o cenário foi
sendo alterado, a minha essência de felicidade foi sendo apagada, substituída
com cicatrizes de alguém que foi esquecido por queridos.
- Era...
- Eu tenho uma proposta pra você. Vamos até o hospital comigo.
- Hospital? – Voltei a olhar para ela.
- Sim! Tem uma pessoa que eu quero que você conheça. Amanhã!
- Não sei...
- Por favor!
Pensei brevemente e aparentemente não tinha muito a perder, então aceitei. Ela ficou feliz. Depois que aceitei seu pedido ela se animou e começou a me contar algumas novidades. Sam era minha amiga desde a infância e sempre fomos próximos como irmãos. Tanto eu como ela estávamos perto de terminar o ensino médio e ela ainda indecisa sobre para onde ir e o que fazer. E eu, sem nem me preocupar com isso. Depois de pouco mais de meia hora conversando, fui embora.
Quando cheguei, o sol estava começando a desaparecer. Entrei em casa e meus pais ainda estavam trabalhando, fui para meu quarto e coloquei uma música calma e me deitei.
De certa forma, eu estava feliz, sem saber por quê.
No dia seguinte, Sam apareceu cedo em casa e me acordou. Levantei, me troquei e pegamos um táxi até o hospital. Não levou mais que vinte minutos. Chegando, fomos até a recepção e enquanto Sam conversava com a recepcionista, eu observava a estrutura do lugar.
Ela me chamou e seguimos por um corredor acompanhados de aparentemente um enfermeiro. Chegamos em frente de um quarto com a placa 131.
- É aqui. Se precisarem de algo, me chamem. – Disse o enfermeiro.
Sam agradeceu e abriu a porta do quarto. Logo em seguida, entramos. Logo em frente a porta estava uma cama com um senhor de idade deitado assistindo televisão.
- Sr. Thomas? – Sam chamou.
Ele olhou e mudou sua expressão rapidamente para uma de felicidade.
- Samantha! Que bom te ver! – Abrindo os braços.
- Como o senhor está?
- Estou melhorando, e você? – Um sorriso tomou conta de seu rosto.
- Estou bem também. Hoje trouxe meu amigo Marcus para te conhecer, acho que o senhor pode ensinar algumas coisas para ele.
Ele olhou para mim com a mesma expressão que olhava para Samantha.
- Oi Marcus! E o que eu poderia ensinar para um jovem como ele, Samantha?
- Muitas coisas, Sr. Thomas!
Ele fez uma cara engraçada de como quem não sabia o que poderia ser e riu.
- Eu já volto, Marcus, sente-se aqui para conversar com o Sr. Thomas.
Ela saiu rapidamente e me sentei em uma cadeira que estava ao lado da cama.
- Então, Marcus, você é namorado da Samantha? – Ele me encarava com outra cara engraçada.
Me envergonhei e respondi sem olhar para ele.
- Não, somos só bons amigos...
Ele riu e voltou a falar.
- Bons amigos valem mais. Quantos anos você tem?
- 17.
- Tão jovem. Adivinha a minha?
Ele aparentava ter uns 70 anos, mas eu pensei que poderia ofendê-lo se dissesse um número tão alto.
- Uns 50?
- 50? Acha que sou tão velho assim?
Fiquei em silêncio.
- Estou brincando com a sua cara. Tenho 79 anos.
Fiquei surpreso que com aquela idade tinha essa harmonia.
- 79? Incrível... – Respondi sem saber direito o que falar.
- É, você ainda vai chegar nessa idade um dia. Mas é meio difícil imaginar, não é?
- É sim... só vivi 17 anos e cada coisa aconteceu, agora imaginar mais 62...
- Muita, muita coisa. – Ele disse com um sorriso de canto.
- E o que você gosta de fazer, Marcus?
- Eu? Eu... Eu gosto de sonhar.
- Sonhar? Sonhar é bom, mas não tem nada mais? – Ele estranhou.
- Acho que não...
- Eu também sonho bastante. E já sonhei muito.
- Sobre o que tanto? – Fiquei interessado.
- Sobre a vida, filho.
Não havia entendido, eu sonhava para fugir da futilidade da vida e ele fazia o contrário.
- A vida?
- Sim. A minha saúde não está nada boa e o fim para mim pode estar chegando. E como estou preso a esse quarto, eu fico sonhando. Mas não sonho sobre coisas que eu poderia ter feito, coisas que quero fazer, mas sim as coisas que fiz. Viver é mágico, Marcus. Você é ainda jovem mas vai aprender que as suas conquistas tornam sua vida mágica. Nem o maior sonho de todos pode se comparar a felicidade das surpresas da vida. Fazer novas amizades, reencontrar velhos amigos, olhar um álbum de fotos, viajar, almoçar com seus pais, brincar com seus irmãos, amar alguém. Essas e outras coisas fazem valer a pena viver, mesmo com muitas dificuldades, perdas e tristezas.
- Era...
- Eu tenho uma proposta pra você. Vamos até o hospital comigo.
- Hospital? – Voltei a olhar para ela.
- Sim! Tem uma pessoa que eu quero que você conheça. Amanhã!
- Não sei...
- Por favor!
Pensei brevemente e aparentemente não tinha muito a perder, então aceitei. Ela ficou feliz. Depois que aceitei seu pedido ela se animou e começou a me contar algumas novidades. Sam era minha amiga desde a infância e sempre fomos próximos como irmãos. Tanto eu como ela estávamos perto de terminar o ensino médio e ela ainda indecisa sobre para onde ir e o que fazer. E eu, sem nem me preocupar com isso. Depois de pouco mais de meia hora conversando, fui embora.
Quando cheguei, o sol estava começando a desaparecer. Entrei em casa e meus pais ainda estavam trabalhando, fui para meu quarto e coloquei uma música calma e me deitei.
De certa forma, eu estava feliz, sem saber por quê.
No dia seguinte, Sam apareceu cedo em casa e me acordou. Levantei, me troquei e pegamos um táxi até o hospital. Não levou mais que vinte minutos. Chegando, fomos até a recepção e enquanto Sam conversava com a recepcionista, eu observava a estrutura do lugar.
Ela me chamou e seguimos por um corredor acompanhados de aparentemente um enfermeiro. Chegamos em frente de um quarto com a placa 131.
- É aqui. Se precisarem de algo, me chamem. – Disse o enfermeiro.
Sam agradeceu e abriu a porta do quarto. Logo em seguida, entramos. Logo em frente a porta estava uma cama com um senhor de idade deitado assistindo televisão.
- Sr. Thomas? – Sam chamou.
Ele olhou e mudou sua expressão rapidamente para uma de felicidade.
- Samantha! Que bom te ver! – Abrindo os braços.
- Como o senhor está?
- Estou melhorando, e você? – Um sorriso tomou conta de seu rosto.
- Estou bem também. Hoje trouxe meu amigo Marcus para te conhecer, acho que o senhor pode ensinar algumas coisas para ele.
Ele olhou para mim com a mesma expressão que olhava para Samantha.
- Oi Marcus! E o que eu poderia ensinar para um jovem como ele, Samantha?
- Muitas coisas, Sr. Thomas!
Ele fez uma cara engraçada de como quem não sabia o que poderia ser e riu.
- Eu já volto, Marcus, sente-se aqui para conversar com o Sr. Thomas.
Ela saiu rapidamente e me sentei em uma cadeira que estava ao lado da cama.
- Então, Marcus, você é namorado da Samantha? – Ele me encarava com outra cara engraçada.
Me envergonhei e respondi sem olhar para ele.
- Não, somos só bons amigos...
Ele riu e voltou a falar.
- Bons amigos valem mais. Quantos anos você tem?
- 17.
- Tão jovem. Adivinha a minha?
Ele aparentava ter uns 70 anos, mas eu pensei que poderia ofendê-lo se dissesse um número tão alto.
- Uns 50?
- 50? Acha que sou tão velho assim?
Fiquei em silêncio.
- Estou brincando com a sua cara. Tenho 79 anos.
Fiquei surpreso que com aquela idade tinha essa harmonia.
- 79? Incrível... – Respondi sem saber direito o que falar.
- É, você ainda vai chegar nessa idade um dia. Mas é meio difícil imaginar, não é?
- É sim... só vivi 17 anos e cada coisa aconteceu, agora imaginar mais 62...
- Muita, muita coisa. – Ele disse com um sorriso de canto.
- E o que você gosta de fazer, Marcus?
- Eu? Eu... Eu gosto de sonhar.
- Sonhar? Sonhar é bom, mas não tem nada mais? – Ele estranhou.
- Acho que não...
- Eu também sonho bastante. E já sonhei muito.
- Sobre o que tanto? – Fiquei interessado.
- Sobre a vida, filho.
Não havia entendido, eu sonhava para fugir da futilidade da vida e ele fazia o contrário.
- A vida?
- Sim. A minha saúde não está nada boa e o fim para mim pode estar chegando. E como estou preso a esse quarto, eu fico sonhando. Mas não sonho sobre coisas que eu poderia ter feito, coisas que quero fazer, mas sim as coisas que fiz. Viver é mágico, Marcus. Você é ainda jovem mas vai aprender que as suas conquistas tornam sua vida mágica. Nem o maior sonho de todos pode se comparar a felicidade das surpresas da vida. Fazer novas amizades, reencontrar velhos amigos, olhar um álbum de fotos, viajar, almoçar com seus pais, brincar com seus irmãos, amar alguém. Essas e outras coisas fazem valer a pena viver, mesmo com muitas dificuldades, perdas e tristezas.
Naquele
momento eu paralisei. Apenas encarava o sorriso do Sr. Thomas. Verdadeiramente,
ele estava feliz por saber de tudo que passou. E eu senti sua felicidade
irradiar até mim.
- Conversaram bastante? – Sam chegou.
- Samantha! Ainda conversamos pouco, por que não senta-se aqui e conto uma história da minha adolescência para vocês?
- Certo!
Samantha sentou-se próxima a mim e ele começou a contar a história. Era uma história engraçada sobre ele e seu amigo que foram perseguidos por uma vaca. Depois contou todos pontos marcantes de sua vida. Ficamos até o final da tarde ali, até que ele precisava se medicar, e então precisávamos ir embora.
- Obrigado pela companhia, crianças, voltem sempre que quiser.
- Pode deixar, Sr. Thomas! – Sam disse.
- Sr. Thomas? – Eu o chamei.
- Viver é mais incrível que sonhar? – Perguntei.
- Sem sombra de dúvida, Marcus. Viva. Ainda há muito a se descobrir.
- Prometo. – E saímos do quarto.
- Conversaram bastante? – Sam chegou.
- Samantha! Ainda conversamos pouco, por que não senta-se aqui e conto uma história da minha adolescência para vocês?
- Certo!
Samantha sentou-se próxima a mim e ele começou a contar a história. Era uma história engraçada sobre ele e seu amigo que foram perseguidos por uma vaca. Depois contou todos pontos marcantes de sua vida. Ficamos até o final da tarde ali, até que ele precisava se medicar, e então precisávamos ir embora.
- Obrigado pela companhia, crianças, voltem sempre que quiser.
- Pode deixar, Sr. Thomas! – Sam disse.
- Sr. Thomas? – Eu o chamei.
- Viver é mais incrível que sonhar? – Perguntei.
- Sem sombra de dúvida, Marcus. Viva. Ainda há muito a se descobrir.
- Prometo. – E saímos do quarto.
- Ele
te ensinou muita coisa, Marcus? – Sam me perguntou.
- Sim, o mais importante que alguém já me ensinou.
Caminhava em direção a saída do hospital e não queria mais fugir para meu mundo próprio.
E então, acordei. Sorri. E vivi.
- Sim, o mais importante que alguém já me ensinou.
Caminhava em direção a saída do hospital e não queria mais fugir para meu mundo próprio.
E então, acordei. Sorri. E vivi.
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